-Ah não mãe, eu não quero ir hoje não! – eu dizia emburrada á minha mãe .
-Aline, vamos sim, você precisa ir pra igreja com a gente!
Toda vez que meus pais mencionavam a tal igreja que tinham começado frequentar, me dava uma raiva tão grande que eu achava que ia explodir! Era eu me levantar pra ir pra escola, e meu pai já estava sintonizado na Record, nos programas da Igreja… Na verdade, ele já estava acordado a um bom tempo, ele não dormia bem essa época por conta dos problemas financeiros… E eu odiava isso! Odiava não poder assistir o que eu queria enquanto tomava o meu café da manhã.
Eu também tinha meus próprios problemas naquela época… estava viciada naquela banda de rock, estava cada vez mais tendo problemas com a minha mãe, pois não nos dávamos nada bem, era sempre gritaria dentro de casa quando estávamos juntas, eu tinha raiva, mágoa dela… fora a tristeza, o vazio que sempre dominava meu coração á noite, chorava por tudo e por nada… Mas eu não ouvia nada do que estava passando naqueles programas de televisão, até gostava de ver as simulações, tipo novelinhas que passavam contando os testemunhos, mas eu não entendia o quanto aquilo podia ser bom pra mim… eu só conseguia pensar que eu não estava assistindo o que eu queria naquele momento.
A situação piorava quando eles falavam que eu tinha que ir pra igreja aos domingos… “Poxa, eu estudo a semana inteira, acordo cedo todos os dias, e no domingo que posso dormir até meio-dia, eles querem que eu vá pra igreja perder o meu tempo! E ainda por cima não posso nem dormir na casa das minhas amigas no fim de semana por conta disso… ah que raiva!”
Bom, o resultado era chegar na escola ás segundas feiras, chorando pras minhas amigas – literalmente chorando – dizendo que eu não queria ficar indo pra igreja nenhuma! Elas não entendiam muito bem o que estava acontecendo, mas diziam que era assim mesmo, que aquilo era uma fase da minha vida e que os pais eram assim mesmo e que logo tudo ia passar… “Ô fase que não passava”. Eles iam cada vez mais pra igreja e queriam me levar com eles. Pareciam que tinham sede do que era passado ali na igreja… (Eles haviam encontrado A Fonte).
Meus pais adoravam sentar nas primeiras fileiras da igreja. E eu por outro lado dormia no ombro do meu pai enquanto a reunião rolava… O pastor estava apenas a 2 metros de mim e eu fazia isso – que vergonha! E mesmo quando ficava acordada eu não conseguia prestar atenção em nada, parecia que a única coisa que me importava naquele momento eram as minhas unhas! Ficava olhando pra elas, mexendo, mordendo… Minha mãe até me dava uns cutucões pra eu disfarçar meu desinteresse mas a ficha parecia não cair. Eu não conseguia ouvir nada do que o Pastor falava, parecia que algo me bloqueava e o sono era quase impossível controlar… e eu já tinha quase 14 anos… uma aborrescente de carteirinha!
Porém nessas idas e vindas á igreja, algo aconteceu.
Continuação na próxima terça-feira…
Retirado do Blog da Dn. Cristiane Cardoso e escrito pela Dn. Aline Munhoz

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